Mindfulness aumenta concentração e reduz ansiedade pré-vestibular


Pare e pense: somente hoje, quantas vezes você remoeu momentos passados ou se sentiu ansioso em relação ao futuro? De acordo com um estudo da Universidade de Harvard, passamos cerca de 47% das horas que estamos acordados com “a cabeça no mundo da lua”. E isso não quer dizer que temos dificuldade só em aproveitar o momento presente: passar muito tempo pensando no passado e no futuro prejudica a nossa produtividade e pode aumentar os níveis de estresse do corpo. Para reverter essa realidade, as pessoas buscam diferentes alternativas, e uma delas tem chamado atenção devido aos seus muitos benefícios: a prática de mindfulness.

Mindfulness, ou ‘atenção plena’, é um termo comum em terras estrangeiras, mas ainda pouco conhecido aqui no Brasil. Conversamos com o professor e coordenador do centro de Mindfulness da UNIFESP, Marcelo Demarzo, para entender o assunto. “O mindfulness é um estado mental que envolve a atenção plena e uma atitude específica de não pré-julgar as situações”, explica. Em outras palavras, mindfulness é o simples ato de parar e estar presente, o oposto do estado mental “automático” de quem vive na correria do dia a dia.

O mindfulness faz parte das tradições culturais, filosóficas e religiosas do Oriente. Apesar de antiga, a prática só chegou ao Ocidente no final dos anos 70, época em que o biólogo molecular Jon Kabatt-Zinn iniciou estudos sobre a eficácia desse tipo de meditação em pacientes com doenças crônicas. Hoje, as pesquisas sobre o tema crescem exponencialmente, assim como as descobertas de benefícios em diferentes áreas, como saúde e educação.

E todos esses benefícios surgem de um mecanismo comum do mindfulness: o awareness (auto-observação, em tradução livre). “Por meio do awareness, a pessoa passa a se conhecer melhor. Ela percebe como reage a situações, como essas situações interferem na sua saúde, e a partir daí passa a manejar melhor os estressores do dia a dia”, explica Demarzo.

Trocadilho com duas palavras em língua inglesa: em tradução livre, mind full significa “mente cheia”, enquanto mindful significa “atenção plena” (crédito: reprodução).

E aí você, estudante, pensa: ok, mas o que isso tem a ver comigo? O professor Demarzo explica: “Os estudantes do pré-vestibular ou os universitários, por exemplo, melhoram o manejo do stress, conseguem diminuir os sintomas de ansiedade que vem com as provas, melhoram a qualidade do sono e a atenção, ou seja, tudo que possa interferir no desempenho dele”. Bacana, né?

Explicamos melhor cada um desses benefícios para você entender todas as vantagens em praticar mindfulness:

1) Diminui o estresse Estresse em ano de vestibular já virou clichê, e encontrar estudante que não sofra disso é uma tarefa árdua. Mas pesquisadores da Universidade de Canergie Mellon descobriram que a prática de mindfulness ajuda nessa questão. Funciona assim: quando uma pessoa está estressada, ela diminui a atividade na área do cérebro responsável pelo pensamento consciente, enquanto aumenta a atividade nas regiões que ativam respostas ao estresse. E o mindfulness é capaz de inverter esses padrões até mesmo em períodos em que a pessoa não está meditando, o que reduz os níveis de estresse do corpo.

2) Diminui o risco de desenvolver depressão, ansiedade e outros padrões de comportamento Junto com o estresse, vêm outros problemas como a depressão, a ansiedade e a síndrome do pânico. Na tentativa de atenuar os sintomas e diminuir o risco de desenvolver essas doenças, o psiquiatra John Miller, da Divisão de Medicina Preventiva da Universidade de Massachusetts, usou o mindfulness. E funcionou! O psiquiatra acompanhou os pacientes por mais três anos e descobriu que os resultados positivos persistiram naqueles que continuaram a praticar mindfulness.

3) Melhora a qualidade do sono Você sente que pode dormir o quanto quiser, mas ainda acordará cansado? O mindfulness pode resolver esse problema. Uma pesquisa da Universidade de Utah concluiu que a prática de mindfulness melhora a qualidade do sono ao diminuir a atividade cognitiva e fisiológica do cérebro antes da hora de dormir. Outro estudo publicado na JAMA Internal Medicine sugere ainda que o mindfulness é uma solução mais eficiente no combate à insônia do que hábitos ensinados em cursos de educação para o sono.

Fonte: Guia do Estudante


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