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Maioria dos alunos não entende conceitos básicos de matemática

27/07/2017

 

OCDE identifica falhas transversais em todos os países. E recomenda currículos mais focados, com ênfase nos exercícios, menos seleção dos alunos e apoio individualizado

 

Numa altura em que milhares de alunos portugueses enfrentam os exames nacionais em Portugal, um relatório da OCDE, baseado nos resultados dos testes PISA de 2012, confirma que esta disciplina não é motivo de problemas e inquietações apenas para os estudantes portugueses. Em média, diz o relatório Equations and Inequalities: Making Mathematics Accessible for All, perto de 50% dos alunos de 15 anos não consegue explicar o conceito de polígono e menos de 30% percebe o que é uma média aritmética.

 

A receita da OCDE para ultrapassar estas falhas em conhecimentos básicos, tornando a matemática “acessível para todos”, passa por uma abordagem mais eficaz do ensino da disciplina, com “um currículo mais focado e coerente”. Os 20% de estudantes que são mais expostos a “tarefas matemáticas puras (equações)”, diz a organização, têm um desempenho nos testes PISA “equivalente a quase dois anos escolares de avanço em relação aos 20% que são menos expostos” a este trabalho prático.

 

Outro aspeto destacado no relatório prende-se com a tendência dos sistemas educativos para segregarem os alunos, quer em função dos resultados quer, indiretamente, pela falta de respostas adequadas aos estudantes oriundos de contextos socioeconómicos mais desfavorecidos.

 

Em relação à primeira forma de seleção – pelo desempenho -, o estudo, que incluiu entrevistas a elementos das escolas, refere que mais de 70% dos diretores admitem agrupar os alunos em função da habilidade para a disciplina. Uma estratégia que, avisa a OCDE, pode “reduzir oportunidades de aprendizagem para os alunos mais desfavorecidos”. Outro exemplo de seleção, também focando este grupo, é a idade a partir da qual os estudantes são encaminhados para currículos vocacionais.

 

De acordo com a OCDE, não é apenas a percepção das escolas sobre os estudantes que afeta o seu desempenho. Os próprios alunos acabam por se convencer da sua falta de capacidades para a disciplina, com a consequência de se desinteressarem da mesma. E, neste aspeto particular, Portugal está num indesejável lote restrito de países onde a falta de autoconfiança é mais marcada entre os alunos de origens mais desfavorecidas, com uma diferença de 25% em relação aos demais estudantes.

 

Fonte: Diário de Notícias (Portugal)

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